Baixe o Estudo Completo

Publicado em 07/06/2021

Rebranding de nove marcas nos últimos dois anos aponta para mobilidade elétrica e digital

Mais do que mero símbolo, o logotipo de uma marca é a maneira na qual ela se expressa. É praticamente o RG de uma empresa. Não por acaso, emblemas marcam uma era e costumam demorar a serem ser atualizados. Justamente por isso, chamou atenção a enxurrada de novas identidades visuais promovidas pelas montadoras. Pelo menos nove gigantes do segmento automotivo promoveram rebranding nos últimos dois anos.

Seria esse movimento uma concorrência? Apenas uma forma de marcar o início de uma nova década? É evidente que não. E os desenhos apontam para uma clara tendência de simplicidade. Miram ainda em uma mobilidade elétrica e digital.

A General Motors, por exemplo, fez questão de deixar isso bem claro ao apresentar o quinto logo em 113 de história. “O azul vibrante mais elétrico representa o céu azul claro de um futuro totalmente elétrico”, explicou a diretora de marketing global da GM, Deborah Wahl. Ela esclareceu ainda que a adoção às letras minúsculas querem dar a entender que a marca norte-americana está mais acessível.

Isso vai ao encontro do investimento de US$ 27 bilhões de dólares no desenvolvimento de veículos elétricos e autônomos, sendo que 30 modelos de propulsão 100% elétrica devem ser lançados até 2025. Mas não são veículos quaisquer. A ideia da montadora é desenvolver opções para todos os bolsos.

Tão enfático quanto à GM foi o posicionamento da Renault. Além da nova versão do famoso diamante que compõe o logotipo da montadora desde 1925, foi apresentado também o “Renaulution”, plano estratégico que visa uma completa renovação de linha até 2025, que inclui o lançamento de sete veículos elétricos.

O anúncio do novo logo da marca francesa foi feito por meio do conceito elétrico Renault 5. O detalhe é que o símbolo está iluminado, algo que também foi adotado pela Volkswagen e será aplicado não só em novos veículos, mas também nas fachadas de concessionárias e estandes de eventos.

Assim como outras montadoras, a Volks optou por um design com pegada minimalista, o que ajuda não só na aplicação em grandes instalações físicas. A estratégia passa pela divulgação da marca de maneira mais clara também em mídias impressas e texturas em materiais como o couro que reveste os bancos dos carros.

Mas a grande sacada de logos com aspecto bidimensionais tem a ver com o universo digital. Se nos anos 1980 e 1990, a tendência era conceber desenhos em 3D, agora, dá para dizer que o retrô que é novo moderno.

Layouts em 2D são mais amigáveis para serem expostos em sites, aplicativos, lojas online e até mesmo em ícones que aparecem em smartwatches. Não à toa, a Nissan abre o comunicado sobre o novo logo dizendo que “nossas vidas são tão digitais quanto físicas. Por isso, marcas fortes precisam ter pontos de contato efetivos nas duas esferas (off-line e online)”.

É tanta coisa para pensar que a montadora japonesa trabalhou por três anos no desenvolvimento do novo logo, com a premissa de que fosse esguio, leve e flexível.

Se a Nissan apoiou-se no departamento de Design Avançado da marca, a compatriota Toyota encomendou os serviços da agência The&Partnership para o rebranding que começou na Europa.

Assim como as concorrentes já citadas, a montadora japonesa optou pelo aspecto flat e retirou a inscrição “Toyota” do logo, pois, segundo ela, é uma empresa conhecida em todo o continente.

O conceito bidimensional também foi adotado pela BMW. No entanto, a marca da Bavária apresentou uma peculiaridade: o logo tem superfície transparente, que dá lugar ao tradicional círculo preto. De acordo com Jens Thiemer, vice-presidente sênior de clientes e da marca BMW, a novidade significa um convite para que os consumidores façam cada vez mais parte da empresa.

A montadora alemã afirmou ainda que o rebranding foi baseado nos pilares de eletrificação, conectividade, compartilhamento e autonomia.

No mesmo caminho, a Kia apresentou o novo logotipo com a intenção de representar as ambições de estabelecer uma posição de liderança na futura indústria de mobilidade. Em comunicado oficial, a montadora sul-coreana anunciou que a reformulação da identidade visual tem a ver com o “Plano S”. Ele tem como objetivo a popularização dos veículos elétricos e introdução de uma gama de serviços de mobilidade.

Mas, ao contrário das concorrentes, a Kia optou por um logo manuscrito. O elemento baseado em simetria, ritmo e ascensão quer transmitir confiança para os consumidores.

Já a Peugeot apoiou-se na figura clássica do leão, que representa a marca desde 1850. O novo desenho (que enfatiza a face do animal, em detrimento de todo o corpo) tem a missão de comunicar dois posicionamentos. O primeiro transmite preocupação com um futuro sustentável, marcado pela revolução ambiental, com a transição energética e zero carbono. Já o segundo representa uma posição premium da montadora francesa dentro da Stellantis, novo conglomerado que uniu PSA e FCA.

Dentro do grupo, outra marca que atualizou o logo foi a Fiat. Com os pilares ‘produtos’, experiência do consumidor’ e ‘comunicação’, a fabricante reviveu a chamada Fiat Flag e aposentou o fundo bordô. A intenção é tornar-se uma marca pop.

A tendência é que outras marcas, dentro e fora do segmento automotivo, anunciem novas identidades visuais em breve. Mas o caso da indústria automobilística é mais simbólico e saboroso de acompanhar, pois marca a revolução da mobilidade e nos mostra que a propulsão elétrica em cumplicidade com a condução autônoma é um caminho sem volta.


Assine a
newsletter

Receba gratuitamente em seu e-mail tendências, pesquisas e artigos sobre mercado automotivo e marketing.