Baixe o Estudo Completo

Publicado em 27/05/2021

Veículos de propulsão elétrica mostram que podem despejar entretenimento, mas também são úteis para o trabalho

Compacto, carismático e urbano. Este era o perfil dos primeiros carros elétricos que chegaram ao Brasil a partir de 2014. Sete anos depois, é possível encontrar tudo quanto é tipo de carroceria por aqui. Há ofertas desde furgões focados na entrega de encomendas até superesportivos com mais de 700 cavalos de potência.

Esta realidade era inimaginável em 2015, quando tive contato com um carro elétrico pela primeira vez. Avaliei um Renault Zoe, como repórter da Webmotors. O modelo nem estava à venda nas concessionárias. Rodava por aqui em caráter de testes por empresas que tinham parceria com a montadora. Naquela época, o BMW i3 era a única opção com motor 100% elétrico.

Note que os modelos citados são hatches compactos, com visual moderno e com proposta enfatizada em rodar na cidade. Esse padrão foi mantido nos lançamentos seguintes, com as importações de Chevrolet Bolt e Nissan Leaf, por exemplo.

Ao mesmo tempo, no exterior, a indústria colocava nas ruas novas soluções, cada vez mais tecnológicas e potentes. Foram incontáveis as negativas que precisei dar quando perguntado: “já dirigiu um Tesla?”.

É verdade que a montadora norte-americana ainda não está disponível no Brasil de maneira oficial (só pode ser comprada via importadoras), mas existem outras opções high-end que nos fazem parar de olhar com inveja para o consumidor gringo.

Os suprassumos elétricos das montadoras estão aterrissando em nossas terras em período de tempo cada vez mais curto em relação ao lançamento no exterior. Cobri a avant-premierè do Porsche Taycan em setembro de 2019, na Alemanha. Em novembro de 2020, me diverti com o superesportivo de 761 cv de potência em lançamento oficial no interior de São Paulo.

O que dizer, então, da Audi, que apresentou globalmente o e-tron GT em fevereiro deste ano e lançou o sedã no Brasil na última quinta-feira (20)?

TEM PICAPE E ATÉ CAMINHÃO

O mais animador, porém, é que a diversidade de elétricos não fica restrita a máquinas dos sonhos que pertencem ao segmento Triple A. O modelo mais acessível do mercado é o JAC iEV20, que tem tabela de R$ 159.900. A mesma montadora traz ainda para nosso mercado a primeira picape elétrica do mundo, iEV330P, além do caminhão iEV1200T.

Outra fabricante chinesa, a BYD também importa caminhões para o Brasil e, recentemente passou a vender o furgão eT3. Focado em entrega de encomendas no perímetro urbano, o veículo tem volume de carga de 3.300 litros e autonomia de 300 quilômetros.

Aliás, a duração da bateria tem ligação direta com a maior oferta de elétricos, bem como o interesse do consumidor. Quando testei o Zoe, há seis anos, virei consumidor assíduo de shopping center. Não, o carrinho francês não despertou uma fobia de compras em mim. O fato é que só lá eu podia carregar a bateria do carro em uma estação disponível no estacionamento.

Hoje, isso é algo comum nos shoppings, mas também em supermercados e até mesmo nos edifícios de diversas empresas. Segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), a estimativa é de que existam aproximadamente 600 pontos comerciais de recarga no País. No entanto, o número cresce rapidamente devido a iniciativas conjuntas de diversas montadoras e que agregam não só ruas e avenidas, mas também chegam a rodovias.

Esses projetos minimizam a percepção do consumidor de que carro elétrico limita-se à locomoção urbana. É claro que isso só ocorre também por conta da evolução da capacidade de autonomia dos últimos lançamentos. Dentre os 20 modelos atualmente disponíveis, contando com opções comerciais, há pelo menos seis capazes de rodar mais de 400 quilômetros com uma carga de bateria.

VEM MAIS POR AÍ

Tal característica também deve dar o tom dos modelos que estão por vir. Segundo matéria do WM1, o portal de notícias da Webmotors, seis carros totalmente elétricos estão previstos para chegar ao Brasil ainda em 2021. A boa notícia é que alguns marcam a estreia de montadoras no segmento. Exemplos são a Fiat, com o 500e, além da Peugeot, com o 208 e-GT. Já a Volvo, que tem experiência consolidada com modelos híbridos, vai estrear na gama 100% elétrica com o C40 Recharge.

A maior oferta com diversidade de carrocerias tem relação estreita com o crescente interesse do consumidor por veículos eletrificados. No primeiro trimestre deste ano, a intenção de compras dos usuários da Webmotors por veículos desta categoria cresceu 98% em relação ao mesmo período de 2020.

O ponto positivo é que este comportamento não para no interesse. Dados da ABVE mostra que este o primeiro quadrimestre deste ano já é o melhor da história no que diz respeito ao emplacamento de veículos híbridos e elétricos. No período, foram vendidos 7.290 automóveis deste tipo no País, o que significa incremento de 30% em relação aos quatro primeiros meses de 2020.

É evidente que a indústria ainda tem um longo caminho a percorrer em busca da eletrificação da frota brasileira, mas a oferta versátil de carrocerias dá mais confiança ao consumidor e mostra que a realidade elétrica está muito mais próxima do que se imagina. Além de serem propulsores de energia limpa, elétricos apresentam-se como solução prática, divertida e também com boa serventia para o trabalho.


Assine a
newsletter

Receba gratuitamente em seu e-mail tendências, pesquisas e artigos sobre mercado automotivo e marketing.