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Publicado em 21/06/2021

Plataforma atrai novos públicos e tende a ser considerada peça-chave em diversas campanhas de marketing

“TikTok oferece: Jornal Nacional”. Se esse anúncio pode causar estranheza aqui, imagine para quem assistiu a William Bonner dar o tradicional “boa noite” após um comercial permeado por jovens dançando e fazendo graça.

Pode parecer absurda a conexão entre o noticiário mais tradicional do País com o aplicativo conhecido por ser febre entre a molecada, mas ela mostra que a estratégia e a conversão da rede social do momento vão muito além dos jovens.

“Dentro do aplicativo, a geração Z ainda é maioria e o uso dessa plataforma para atingir este público com certeza é de extrema relevância, mas isso não quer dizer que seja impossível atingir outras idades. Hashtags como over30club ou over40club (clube dos acima dos 30 e 40 anos) já contam com mais de 250 milhões de views. Ademais, o número de adultos no app tem crescido mensalmente, segundo o Comscore”.

A análise da DataIntelligence, ferramenta da Ogilvy Brasil, responde a algumas dúvidas frequentes de diversas empresas em relação à plataforma. A primeira delas diz respeito à consolidação. Diferentemente de redes como Snapchat e Vine, o TikTok fincou presença como uma rede social que veio para ficar. Não por acaso, um dos 12 escritórios da companhia está sediado em São Paulo.

Mais uma evidência da consistência do app que acumula bilhões de downloads anuais é a chegada de um rival com conceito parecido. O Kwai também é uma plataforma de origem chinesa, com grande adesão do público jovem, e que estabeleceu operação no Brasil.

Outro conceito que perde força, de acordo com o levantamento, é o de que o TikTok é permeado de postagens sem relevância em termos de conteúdo, como dublagens e dancinhas. É verdade que o app ficou conhecido por essas vertentes, mas a chegada de criadores cada vez mais diversos mostra que a plataforma é um espaço para explorar a criatividade.

Como se já não bastasse essas características importantes sob o ponto de vista do marketing, o relatório desenvolvido pela Harris Poll Brand Platform em maio passado mostra que a rede social da ByteDance influencia o público na conversão de compra.

CONVERSÃO

A pesquisa aponta que 48% dos usuários afirmam aderir a um produto ou serviço após serem impactados por um anúncio no aplicativo. Além disso, 47% dos entrevistados admitem seguir recomendações de produtos de um influenciador.

A Harris Poll indica ainda que um reflexo do comportamento do usuário listado acima é o aumento da reputação de empresas presentes na rede. A RedBull viu um aumento de valor de marca de 15,7% no TikTok, enquanto a Xbox apresentou incremento de 13,5%.

Também há exemplos de sucesso no Brasil, sendo que o mais impactante é o do Guaraná Antarctica. A empresa de bebidas foi a primeira do Brasil a firmar acordo com a plataforma, em 2019. Hoje, ela colhe os frutos ao ultrapassar a barreira de 670 mil seguidores.

Já no segmento automotivo, a Webmotors abraçou a ferramenta e já depara com resultados consistentes. “Ainda que nossa experiência como creator seja de longa data, começamos a explorar uma visão ainda mais humanizada e autêntica da nossa marca nos conteúdos publicados, com vídeos nativos pensados para a rede, criando novas conversas com nosso público e gerando conexões verdadeiras”, elucida Giovanna Miranda, Head de Branding e Marketing de Produtos da Webmotors.

Ela define ainda o perfil da marca como um grande amigo especialista que simplifica o universo automotivo com vídeos divertidos e rápidos.

Embora os resultados sejam animadores, ter um desempenho de destaque é desafiador. Isso porque contas de empresas estão entre as menos populares do app, com a adesão de 26% dos usuários, novamente, segundo o relatório da Harris.

Talvez essa insegurança tenha influência direta na participação das divisões brasileiras de montadoras na plataforma. A primeira a divulgar ações no TikTok foi a BMW, que abriu conta há exatamente um ano.

Mas o movimento não empolgou as concorrentes. Nenhuma das dez fabricantes que mais vendem carros por aqui aderiu ao aplicativo. Por outro lado, diversas matrizes já produzem conteúdo com frequência, como Mercedes-Benz, Honda e Toyota.

ALTERNATIVAS

Mas não é por que uma marca não tem conta no TikTok que ela não pode estar presente por lá. Por meio de influenciadores e outros parceiros é possível gerar conexão com o público. Num primeiro momento, isso pode não significar uma conversão clássica de compra, mas já desperta interesse do usuário ainda mais em um momento em que montadoras vendem soluções que vão muito além de um carro novo.

A Fiat, por exemplo, já fez ações com Camilla de Lucas, uma das finalistas do BBB 21 e que é a maior estrela da campanha citada no início do texto, veiculada em rede nacional.

Esses movimentos de empresas tateando o aplicativo mostram que não há certo, nem errado, e que o que está sendo feito hoje, pode parecer extremamente antiquado em questão de dias. Faz parte do jogo das redes sociais. O que não vale é ficar parado na inércia dos acontecimentos.

É aquela velha história de ficar parado vendo o bonde andando. Ou, para estar mais alinhado ao público jovem do TikTok, quem não faz, dança.


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